Sobre

1011578_615008755197781_357186874_n

Tania Alice (1976, France) é performer. Foi diretora artística do coletivo de Performance “Heróis do Cotidiano” (Rio de Janeiro, Brasil) de 2009 – 2014, Coletivo que se reverteu na criação e desenvolvimento da plataforma PERFORMERS SEM FRONTEIRAS, que atua em situações de trauma e conflito com projetos artísticos participativos. Ela trabalha na interface entre artes visuais e artes cênicas, investigando o conceito de Estética Relacional de uma forma crítica, trabalhando nas ruas e em espaços domésticos com artistas e “não artistas”. Criando performances coletivas e participativas, seu trabalho visa a aumentar as potências de afeto e de alegria entre os seres humanos e entre os seres humanos e os animais / natureza, criando, ao mesmo tempo, ações poéticas disruptivas dentro dos espaços urbanos. Formada em Somatic Experiencing (cura do trauma), desenvolve  projetos que se apresentam como interseções entre projeto terapêutico e social, criando performances de PARC (Performances de Arte Relacional como Cura), conceito por ela desenvolvido.

Durante os últimos anos, ela realizou uma pesquisa conseqüente sobre o ensino da performance, elaborando métodos pedagógicos inovadores para interessados em performance, estudantes de arte (Graduação, Mestrado e Doutorado), curadores, críticos. Ela trabalha também como coach para a realização de projetos de arte/vida individuais e coletivos.

Tania Alice possui um Mestrado e um Doutorado em Artes pela Université de Provence Aix-Marseille I, França (2003) e um pós-doutorado pela UFRJ. Ela apresentou seu trabalho de performance em espaços reconhecidos nacionalmente e internacionalmente, como no Museu de Arte Contemporânea MAC/Niterói, Teatro da USP, Oi Futuro Rio de Janeiro, Mostra Internacional de Artes do SESC São Paulo, Centro Cultural Vergueiro de Sao Paulo, no Museu de la Ciudad de México, CalArts, Side Street Project, The Art Walk (Los Angeles), International Miami Performance Festival e Art Fair Miami (USA), New York University, Glasshouse ArtLifeLab e Grace Exhibition Space (New York), Festival International Festival de Arte Acción y Intervenciones (República Dominicana), Gruntaler9 em Berlin, La Friche Belle de Mai/Asile 404 in France, Université Libre de Bruxelles, Teatro Nacional de Bruxelas, RITCS  and Wolcke (Bruxelas), Thêâtre des Bernardines, MUCEM e Théâtre de la Cité (França), na Colombia, Chile no Laboratório de Arte Socialmente Engajada, entre outros.

Ela recebeu prêmios importantes pelo seu trabalho artístico, como o Prêmio de Montagem da Secretaria de Cultura do Estado do Ceará (2007), o Prêmio Jovens Artistas do MEC (2009), o Premio Funarte Artes Cênicas nas Ruas (2010), o Prêmio de Circulação do Estado do Rio de Janeiro (2011) ou o Prêmio do Júri Popular do Festival de Cinema de Washington para vídeo-performance.

Atualmente, ela trabalha como professora associada na Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO), onde dá aulas de performance na Graduação e na Pós-Graduação, orienta projetos de Mestrado e Doutorado e trabalha como artista-pesquisadora no NEPAA (Núcleo de Estudos das Performances Afro-Amerindia) e é diretora do grupo de pesquisa “Práticas performativas contemporâneas”.

Ela recebeu a importante bolsa de pesquisa da CAPES/Fullbright em 2013 e foi artista/professora visitante na CalArts (California Institute of the Arts). Em 2015, ocupou a cátedra de cooperação internacional da Université Libre de Bruxelles em 2015. Foi convidada pelo Teatro Nacional de Bruxelas / Royal Court / ULB para realizar um trabalho de criação performática. Autora de oito livres e de diversos artigos e capítulos de livro sobre performance revistas de pesquisa reconhecidas e do livro Performance como revolução dos afetos, lançado em dezembro de 2016 pela Editora Annablume.

Seu trabalho atual consiste a criar a plataforma Performers sem Fronteiras, que reúne artistas de performance que realizam intervenções artísticas participativas fronteiriças entre projeto artístico, projeto terapêutico, projeto artístico e projeto espiritual. Os Performers sem Fronteiras atuam em situações diversas de conflitos armados, catástrofes naturais ou qualquer situação geradora de trauma, propondo intervenções artísticas que atuam de forma construtiva na gestão individual ou coletiva de traumas e na construção de processos de paz.

No ano de 2017, ela realizou seu estágio de post-doutorado na Université d’Aix-Marseille I, França, para realizar uma pesquisa artística de projetos de arte socialmente engajados, especificamente quando estes se desenrolam em zonas de trauma, e consolidar a plataforma Performers sem Fronteiras, que virou uma associação oficial na França.

Ela também é instrutora oficial de Yoga do Riso, uma prática que pode ser oferecida para preparação corporal de grupos, empresas, asilos, entre outros.

Para o ano de 2019, ela idealizou o projeto de uma Clínica Somático-Performativa, com um módulo experimental na UNIRIO para os estudantes, para gerar práticas de saúde e de prevenção da depressão, ansiedade e suicídio – a meta sendo expandir a clínica para outras instituições municipais, estaduais e federais e empresas.

Como vejo meu trabalho?

Nas minhas performances, sejam elas individuais, ou em parceria com outros artistas, o que me interessa é pensar o lado político da performance, quando este não se expressa por ações de caráter ativista explícito, mas quando se trata de  micro-políticas da participação que estimulam a criatividade, a afetividade e a imaginação poética dos participantes. Estou interessada no conceito de Estética Relacional de Bourriaud, porém de forma crítica – na linha de Claire Bishop ou Ileana Dieguez – principalmente quando realizo projetos que desenvolvem uma arte relacional a domicílio ou nas ruas, principalmente em países da América Latina e mais especificamente no Rio de Janeiro, criando maneiras de habitar juntos um espaço sempre mais gentrificado.

As dinâmicas afetivas, que, para mim, conduzem a uma transformação real fundindo o interno/externo, necessitam ser repensadas e transformadas, para que possam ser geradas potências de alegria e afeto dentro de estruturas de vida sempre mais padronizadas. Parece-me essencial a criação de plataformas onde outros tipos de afetos são possíveis e onde os participantes escolhem ou que querem fazer, ajudando-os a desenvolver efêmeras utopias. Nos meus trabalhos, tento ser uma alavanca para a criatividade dos participantes, colocando minhas ferramentas de artista de mais de 20 anos de experiência, minha formação de terapeuta de experiência somática e minha prática pedagógica da performance de mais de 10 anos a serviço das pessoas, para que elas possam criar o que elas desejam.

Também me interessa o tema da cidade como work in progress (e não como cenário) e a criação de tensões entre uso poético e uso funcional nos espaços urbanos, a relação entre ecologia interna e externa, a valorização do “inútil” e o desejo de transformação do que as artes marciais japonesas definem como “ma”: o espaço relacional.

Performar significa para mim colocar-me a disposição do outro, de suas necessidades e desejos, para gerar um maior poder de afetação do outro e meu dentro do processo da arte/vida, dentro de uma perspectiva budista. A profunda capacidade subversiva da performance reside no fato dela ser uma revolução dos afetos, uma revolução que não se dá em grandes escalas visíveis, mas que atua no domínio da sensibilidade, da inteligência e do desejo. Trata-se de uma (r)evolução ecosófica (Guattari), realizada na escala da ecologia pessoal, relacional, social e planetária. Trata-se, além de uma produção de felicidade, de uma produção de subjetividades que atuam no questionamento das estruturas vigentes, legitimadas pelas estruturas de poder e a mídia.

No meu trabalho, tento estabelecer uma lógica diferente, uma eco-lógica, lógica dos afetos, perceptos e intensidades, que oferece novas práticas e maneiras de atuar no mundo, tentando estabelecer novos polos de valorização, construindo imaginários coletivos que não sejam estes, tristes, propostos pelas estruturas vigentes. Estabelecendo laços. Resistindo. Reunindo. Para mim, a performance é o mais absoluto estado de entrega ao mundo. Para que possamos juntos descobrir a maneira e o prazer de voar.”

Partcipação como artista (2009-2018)

TORRES DE DANCA - projeto da União Europeia em 7 cidades, performance participativa, Bel Horizon, Marseille, 2018 (artista convidada). DANS MA MAISON - projeto europeu em parceria com Les Têtes de l’Art, Les Dimanches de la Canebiere, Marseille, 2018 (artista convidada). ENSINE ME A FAZER ARTE - abertura da Biennale des Ecritures du Réel, Marseille, 2018 e Festivale de São José dos Campos, São Paulo, 2018. LE BAISER – performance duracional, MUCEM, Marseille, 2018. BAL DELURE – Théâtre des Bernardines, Marseille, 2018. THE BATH PROJECT, Marseille, Les Têtes de l’Art / Cinéma Le Gyptis, 2017. “Ensine-me a fazer arte”, India, 2017. ”The Animal Project” / Girafas, “The Animal Project / Orango-tangos”, Université Libre de Bruxelles / Pairi Daiza, 2017. “Ensine-me a fazer arte”, Espaço Mira, Porto, curadoria de Hugo Cruz e José Maia / “Performers sem Fronteiras”, Universidade de Lisboa e Escola Superior de Teatro e Cinema de Lisboa / HOKAHEY, performance no RITCS (Royal Conservatory of Brussels) / palestra na Universidade Livre de Bruxelas .”Jogo da Memória”, Casa França/Brasil, 2016. “I am an animal”, palestra/performance realizada curso ministrado no Centro de Artes Hélio Oiticica, 2016.“Como acabar com a cultura do estupro?”, USP e TUSP, Sao Paulo, 2016. “Ilhas na Maré”,  Oi Futuro, Redes da Maré, 2016. “The Bed Project #02″, Plexus Noir, Marseille, 2016. Projeto de performance da Fundação Bernheim, Teatro Nacional de Bruxelas / Royal Court / ULB, Bruxelas, 2016. Feverestival, LUME, Campinas, 2016. “Primeiro Laboratório de Arte Socialmente Engajada”, Quilicura, Chile, 2016. Dança livre para todos, Festival de Teatro de Fortaleza, 2015. “Correio de abraços Brasil / Nepal”, Rio de Janeiro, Festival de Performance ATOSEMACAO, Limeiro, Campinas e Rio Claro e Nepal, 2015 / Nepal. “O Banquete”, SESC Petrópolis, 2015. “Todo sonho bem sonhado pode um dia virar realidade”, X Seminário de Pesquisa do Instituto de Medicina Social, Rio de Janeiro.“Danse libre pour tous”, Tarasloft, Brussels (2015). “Ulysses – live art after breakup” -  Zsenne ArtLab, Brussels (2015). ”The Bed Project- Berlin”, Gruntaler9 Performance Art Space, Berlin.”Sominiculos – The Bed Project”, Marseille, França  - Asile404 et REDPLEXUS – La Friche, Belle de Mai (2015). The Bed Project 12 hours – Glasshouse LifeArtLab (09/2014). “UlYsSeS – live art after breakup” – Grace Exhibition Space, Brooklyn, NYC (09/2014). Mostra de repertório Heróis do Cotidiano SESC Campinas, 2014. “O Banquete” – Festival de Inverno do SESC - Petrópolis e Nova Friburgo (-7/2014). “Dança Livre para todos” – Festival Internacional 100 em 1, Rio de Janeiro (04/2014). Seminário Internacional de Filosofia POP – palestra/performance “Corporeidades Liminares” (05/2014).“OrA©CioNEs” (performance) – IV Festival Internacional de Arte Acción y Intervenciones, Puerto Plata/Santo Domingo, República Dominicana (02/2014). “The Secret Life of plants” – Residência artística de projetos de arte socialmente engajada de um mês com exposição itinerante  Tecnobarca, Amapá (Amazonas), Brasil (janeiro 2014).“Bed Time Talking” (performance multimidia) - CalArts, Side Street Project (Pasadena), Gallery San Ysidro (San Diego/Tijuana), Art Walk, Los Angeles, USA (2013). “Corpo Cênico International” - vídeo-performance, Rio de Janeiro, 2013.“Postales”, exposição no Museu de la Ciudad de México, com Alvaro Villalobos (from 11/2013 to 03/2014). “Bed Time Talking”, performance em parceria com Alvaro Villalobos), Museu de Arte Contemporânea (MAC), Niterói, Brazil. “Bogotá em Branco” (parceria com Alvaro Villalobos, Bogotá, Colombia, 2013). “Bandeiras” [Flags]: Performance em parceria with Alvaro Villalobos. Miami International Performance Festival 2013, USA. Performance “Todo mundo pode ser Brecht!”. Palco Giratório Festival in Porto Alegre, 2013. Performance realizada durante a semana com vídeo apresentado no encerramento do Symposium of the International Brecht Society. Workshop: “Cuidados de si e da cidade” , em parceria com Marcos Bulhoes, Porto Alegre. Performance e palestra: “Estética relacional como revolução dos afetos”, Universidade Autônoma do Estado do México, Toluca, Mexico. 8th Meeting of the Hemispheric Institute of Politics and Performance “Corpo, cidade, ação” , São Paulo, 2011. Palestra sobre o coletivo Heróis do Cotidiano e performance “Soltando preocupações”. Second International Conference “Arquitetura, Teatro e Cultura” . Palestra: “Por que você é pobre? – relato de uma investigação cênico-performática. 2012. Seminário Profanações. Palestra-performance “Dionísio me salvo”, OI FUTURO Flamengo. 2012. Washington DC International Film Festival, vídeo-performance “A meditação da vaca”. Seminário Cena Contemporânea/Universidade Federal do Rio Grande do Sul e SESC Palco Giratório. Palestra: “Criação em arte: pedagogias profanas”. 2012. “Por que você é pobre?” (direção). Temporada de 3 meses no Centro Oduvaldo Vianna Filho 2012. Seminário Cena Contemporânea /Federal University of Rio Grande do Sul and SESC Palco Giratório. Debatedora dos espetáculos. 2012. Seminário: “Artes e Subjetividades”. Palestra: “Performance and subjectivity”. Seminário International “Corpo cênico: linguagens e pedagogias”: Palestra e performance “Não-performance na América Latina) (com Leandro Romano e Larissa Siqueira) e curadoria de performances. 2011. 5th National Seminar: Architecture, theatre and culture: studies of space and urban memory. “Constructing an inventive urban memory: the performance collective Daily Heroes”. 2011. Palestra: “Eixo Cruzado: O Herói que queremos”, Centro Cultural Vergueiro, São Paulo,. 2011. “Práticas do Ensino da Performance – CCBB Rio de Janeiro”: palestra e workshop, 2011. 8th semana da integração da UNIRIO. Curadoria da Mostra de Performance 2011.  20th National Meeting of ANPAP (National Association of Research in Plastic Arts): “Subjectivities, utopias and fiction”. Modalities of relational aesthetics on the streets: the performance collective Daily Heroes. 2011. Promotional operation: for the continuation of working groups in performatic arts in Rio de Janeiro. Palestra “Performance e mercado”. 2011. 1. Encontro do Questão de Critica.“A crítica na performance”. 2011. Palestra no  projeto entitled “Anti-Corpo: oriente-se . “Performance e atavism poético”. 2011. 6th Scientific Meeting da ABRACE – Porto Alegre. “A meditação como possibilidade creative para o performer”. 2011. Performance O Banquete (Heróis do Cotidiano). MOSTRA DE ARTES DO SESC São Paulo:  Sesc Carmo, Sesc Pinheiros, Sesc Ipiranga, 2011.  1st International Festival of Living Arts, Rio ao Vivo, 2011 – performance “Estratagema as claras”, com Gui Terreri. Documentário: “Heróis do Cotidiano”, aprsentado na aperture do Festival Globale Rio, 2011, do Festival “Mostra do Filme Livre” 2011, no Teatro Glauce Rocha, na mostra Cinerock” 2011. “First International Conference on Architecture, Theatre and Culture”. Palestra “Ensaio.Hamlet – a atualização dos clássicos na contemporaneidade”. Leituras dramáticas “Le Frigo” de Copi e “Le Funambule” de Genet.  Aliança Francesa de Botafogo, 2010. 6th congress of ABRACE – Art and science: um abismo de rosas. “Arte contemporânea no ínicio do século XXI”, Marseille, França. Palestra e publicação de capítulo de livro sobre intervenção urbana, 2010. “Has anybody seen me anywhere?”, direção do espetáculo de Jarbas Albuquerque (em parceria com Vinicius Arneiro e Renato Livera), temporada no Teatro Planetário e no Teatro Gláucio Gil, Rio de Janeiro, 2010. (des)Necessitados – performance, 2010.Local event: PUC, Rio de Janeiro. Ser Urbano – cidade projétil. Seminário Boa Praça. Palestra sobre intervenção urbana, 2010.  Palestra sobre performance no evento Arte at the CCBB”“Livro a Bolonhesa” –  SESC Rio: palestra e mostra do filme Heróis do Cotidiano. 2010. 13th Colloquium of the Graduate Program of UNIRIO. Mediation in the communication of research lines of the program and discussions. 2010. International Displacement of Arts Congress. “Performance and staging: dialogue around Samuel Beckett”. 2009. XI Colóquio do PPGAC, palestra “Sarah Kane and Phaedra’s Love”. 2009. 5th National Meeting of ANPAP (National Association of Research in Plastic Arts). “Greek Heroes and contemporaneous Greek Heroes: a performatic investigation”. 2009. 11th International Congress da ABRALIC: tessitura, interação, convergências. “, palestra sobre performance entre as artes cênicas e as artes visuais.


Back to Top ↑