“Corporalidades liminares” – palestra/performance

A performance consistiu em criar uma falsa palestrante francesa, Julie Amanty, supostamente da Universidade de Paris VIII, que realizou uma palestra na abertura do I Simpósio Internacional de Filosofia POP, na UNIRIO. Enquanto a falsa palestrante expunha sua pesquisa teórico-prática sobre corporeidades liminares com um rosto enfaixado, a intervenção dela ia sendo traduzida por mim para o português na mesa de abertura, coordenada por Charles Feitosa.

O texto integral da palestra será publicado em 2014 na Revista Percevejo da UNIRIO.

Trechos da palestra:

“O meu desejo de chamar a atenção dos homens sobre as ilusões e mentiras da sociedade contemporânea foi o que me conduziu a prolongar as minhas pesquisas iniciadas no meu Doutorado em 2004 durante esta experiência insólita. A liminaridade e mais especificamente as corporeidades liminares sempre foram o mais chamou minha atenção.Por este motivo, faz quatro anos agora (estou indo para o quinto ano) que decidi que ia mostrar meu rosto somente em galerias de arte e exposições. Nesta mistura arte/vida já anunciada por Allan Kaprow, decidi assumir todos os riscos ligados à esta experiência e de realizá-la durante um período de cinco anos. A experiência como um todo irá terminar no dia 30 de junho de 2015.”

“Vocês, evidentemente, sabem que aqui no Brasil, quando vocês participam dos grandes eventos de arte contemporânea como as Bienais e as Feiras de Arte, vocês tem que produzir um pequeno “flavour”, um aroma específico para que vocês possam se destacar por uma pequena especificidade, mas sempre respeitando os códigos da arte contemporânea, ditados pelos paises que dominam o planeta. Eu decidi fazer o contrário. E contra esta tendência que minha obra inteira se inscreve. Apresentando minha verdade, luto contra a mentira e contra as ficções do mundo da arte e do mundo de uma forma geral.Vivemos cercados de mentira, é o que eu pretendo revelar. Paradoxo? Ironia? Por motivos de tempo, não entrarei na análise deste procedimentos característicos da arte contemporânea.”

“Desnudar-me significa para mim desnudar a arte contemporânea, composta por técnicas, artifícios, códigos internacionalizados, mentiras que se inscrevem na lógica capitalista, também denunciada por artistas como Santiago Sierra, com quem colaborei na última Bienal de Veneza.”

“Por exemplo, eu: eu sou somente uma ficção – é o que os espectadores percebem de forma intuitiva quando olham para o meu rosto. Meu rosto não tem nada extraordinário. É apenas um rosto virado em direção ao céu. ”

 ”Trata-se de um movimento do entre, um movimento liminar que conduz ao fato que você e eu – e por aí, todos os seres humanos -, possamos nos aproximar o mais possível de nossas verdades mutuas que se revelam no encontro.”

“Minha performance é um ato de amor, uma oferenda no altar de nossas crenças pós-modernas. Minha arte é apenas o veículo, como já dizia Grotowski. Meu sonho é muito maior e graças ao nosso encontro, posso finalmente o realizar de forma tangível e podemos compartilhar este sonho, aqui e agora.”

Com participação especial de Geneviève Lodovici.


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